Ideia

Capitalizar uma forma passada não é capitalizar uma capacidade futura

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Escrito originalmente em francês. Traduzido por IA — o sentido foi preservado, não a prosa.

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Conservar os seus documentos — as especificações, as apresentações, as atas, as respostas enviadas — dá a sensação de ter capitalizado. De fato alguma coisa foi conservada: uma forma, tal como foi enviada num dado momento, a um dado destinatário.

Conservar o material que permitiu produzi-los é um gesto diferente, e o objeto dele não é da mesma natureza. O que é guardado já não é um vestígio do que foi feito, mas um meio de refazer — de adaptar, de explicar, de defender, de prolongar.

De um lado "eis o que enviamos", do outro "eis o que compreendemos, decidimos, verificamos, descartamos, e o que ainda podemos produzir".

Por que isso importa

Isso desloca o que chamamos de capital num trabalho intelectual. O resultado visível continua sendo o documento; o valor duradouro é a capacidade de produzir várias vezes sem perder o fundo.

Isso dá também uma razão para não se contentar com arquivos bem arrumados. Um acervo documental completo pode não carregar capacidade nenhuma, se contiver apenas formas.

Nuances e limites

Uma forma passada guarda um valor próprio: ela faz fé, prova o que foi dito a quem e quando. É um uso jurídico e contratual, não um uso de produção.

E uma capacidade conservada também vence: decisões não revisitadas viram restrições que já não sabemos justificar.

Questões em aberto

  • Uma capacidade pode ser medida de outro jeito que não por um reuso efetivo, ou seja, depois do fato?