Escrevi a ontologia de um produto. Três vezes achei que tinha terminado.
Seu time reconstrói o mesmo modelo do produto a cada pergunta, a cada bug, a cada proposta comercial. Veja como escrever esse modelo uma única vez: 52 objetos, 250 regras, menos de seis horas. E principalmente como saber que terminou — os três critérios de parada que parecem provar a completude e não provam nada, mais o único que resiste.
O PO não é uma profissão, é uma função — e a IA não muda isso, ela acelera
Você contrata um PO para cuidar do backlog e fazer a ponte com os desenvolvedores? Então você está otimizando um circuito que já ficou obsoleto. Este texto desmonta a separação entre quem pensa o produto e quem executa: por que ela derruba a qualidade, por que o backlog não sustenta uma profissão, e por que a IA tira a última desculpa para conviver com isso.
2026-08-01
PM, desenvolvedores e IA: os papéis se confundem, as responsabilidades ficam
A IA aumenta a capacidade de produzir — não a de decidir. Os desenvolvedores sobem em direção ao produto, os PMs descem em direção à construção. Esse deslocamento embaralha os papéis sem dissolver as responsabilidades. Um panorama completo do que a IA banaliza no product management, o que continua difícil, e um catálogo dos papéis emergentes com seus riscos reais.
2026-07-28
Quatro dias de vibe coding na pele de um PM enferrujado
Quatro dias construindo um produto real com Claude Code — 180 commits, do zero. O que isso revela: a velocidade que embriaga, as armadilhas que a IA cria sozinha, o que os testes mudam quando você não escreve o código, e até onde um PM pode ir sem sair do seu perímetro. Um relato de campo, não uma doutrina.
2026-07-23
A IA não deveria servir só para produzir dez vezes mais. Ela também deveria nos obrigar a entender dez vezes melhor o que produzimos
Entregar código mais rápido não adianta se ninguém entende o que foi construído. A IA automatiza justamente as tarefas que formavam os desenvolvedores juniores, e o erro que aparece tarde demais para de ensinar qualquer coisa quando o sistema já cresceu demais. Alguns pontos de apoio concretos para manter o controle: contratos claros entre APIs, testes ligados ao comportamento real, e reconstruibilidade como critério de qualidade em vez da velocidade de entrega.
2026-07-20
Fonte de sessão: o que seus documentos não capturam
Seus documentos não dizem tudo: o entendimento fino do campo continua na cabeça do product manager. As fontes de sessão dão um canal para você despejar esse conhecimento informal em um Context de IA — uma frase de corredor, uma nuance do cliente, uma tensão que começa a surgir — e transformar o acúmulo de microssinais em notas, hipóteses e decisões mais bem formuladas.
2026-07-08
Os sistemas de informação não vão desaparecer. A forma deles vai mudar.
Suas ferramentas até arquivam bem a informação, mas não capitalizam o que ela ensina. Este texto explica por que o futuro do sistema de informação não é um formulário melhor preenchido por IA, e sim uma virada em direção a contextos: unidades de memória portáteis e governadas, capazes de conectar fontes, decisões e raciocínios em vez de apenas guardá-los.
2026-07-06
A pergunta de produto deve partir do código-fonte
Você perde meia hora subindo um ambiente de teste só para responder uma pergunta de produto no Slack? Esse custo escondido some quando a IA consulta o código-fonte, a verdade real do comportamento do produto. Respostas ancoradas em provas — funções, testes, commits — em vez de documentação desatualizada. Desde que o código já fale a linguagem do negócio.
2026-07-01
Por baixo do capô do meu motor de contexto: como uma IA se lembra de uma missão
Você perde o fio assim que reabre uma conversa com uma IA sobre um assunto que se estende no tempo? Este artigo abre o capô de um sistema de memória estruturado: a diferença entre o objetivo e a atenção, as diretrizes, a fila offline, as três memórias (diário, síntese, checkpoints) e o ciclo de uma sessão. O suficiente para entender como uma IA pode de fato se lembrar de uma missão.
2026-06-17
Um produto não entra num país pela língua, mas pelos usos
Você acha que um mercado se abre traduzindo o seu produto? O Brasil prova o contrário. A partir da cena mais banal — pagar no caixa — você vai entender por que crédito no dia a dia, número fiscal, Pix e economia informal formam uma infraestrutura cultural que nenhuma tradução reproduz. O suficiente para evitar um erro estratégico caro lá fora.
2026-06-16
O que é uma nota temática?
A nota temática é o elo entre o sistema de notas e a escrita. Ela não acumula tudo o que toca um assunto — escolhe um ângulo e reúne várias notas atômicas para fazer aparecer um padrão, uma tensão ou uma linha de argumentação. Não é pasta nem enciclopédia: é uma visão temporariamente estável sobre uma rede de pensamento.
2026-06-16
O que é uma nota atômica?
\"Uma ideia por nota\" — a fórmula é conhecida, mas costuma induzir ao erro. Uma nota atômica não é uma nota curta: é uma nota com um único centro de gravidade conceitual. Entender essa distinção muda a forma como você captura, reformula, dá título e conecta suas notas. E, no fim das contas, a forma como você escreve.
2026-06-16
O que é uma entrada de glossário?
As mesmas palavras circulam entre produto, marketing, sales e direção — sem que cada um dê a elas o mesmo sentido. O glossário não é uma coleção de definições escolares: é uma ferramenta de precisão coletiva. Ele estabiliza os termos que sustentam as decisões, protege os links entre notas e reduz o custo das conversas em que cada um defende uma ideia diferente com o mesmo vocabulário.
2026-06-16
A arte da captura
A gente acumula abas, links, notas rápidas — e nunca revisita nada. O problema não é a quantidade de informação, é a falta de decisão sobre o que ela vai virar. Este artigo separa capturar de capitalizar e propõe um ritmo simples para transformar suas capturas em conhecimento sem se afogar nelas.
2026-06-16
Flash Card
Ter uma excelente base de notas não basta se as ideias não estão de fato integradas. A flash card não é uma pequena nota atômica: é um pilar pessoal de pensamento, reconhecido de imediato pela sua ressonância, testado ao longo do tempo pelas experiências e pelas novas fontes. Rara por definição, ela estrutura aquilo que você realmente quer ter dentro de si.
2026-06-08
O PM como arquiteto do Contexto
A maioria das organizações sabe produzir documentos. O que elas não sabem é capitalizar o raciocínio por trás deles. A cada decisão, começam quase do zero. O PM arquiteto de contexto transforma o conhecimento disperso sobre o cliente — transcripts, objeções, decisões, sinais fracos — em ativo reutilizável. O resultado: decisões mais rápidas, mais robustas e uma vantagem competitiva que os concorrentes não conseguem copiar de imediato.
2026-06-03
Zero bug: vamos parar de administrar estoques de defeitos
O verdadeiro problema dos bugs não é existirem, é a organização que se acostuma a guardá-los. A gente prioriza, adia, revisa em comitê — até virar urgência de cliente. Uma política de zero bug quer outra coisa: zero bug conhecido sem decisão. Ou você corrige, ou assume que não é defeito. O que essa abordagem recusa é o terceiro estado: saber que um bug existe e mantê-lo numa lista para depois.
2026-06-03
Roadmap NNL: alinhar sem dispersar
Um time de produto pode acumular estudos, workshops e análises sem que a empresa saiba o que é prioritário. A roadmap NNL responde a esse problema: não planejando datas, mas tornando visíveis os compromissos, as direções sérias, os possíveis — e, sobretudo, o que não será feito. Sua força está na restrição de capacidade e no No implícito.
2026-06-03
Product Decision Record: registrar as escolhas de produto que estruturam a empresa
Algumas decisões de produto aparecem em todo lugar: no comitê de roadmap, com o time de sales, nas specs, a cada grande cliente. Sem registro, a empresa redecide sem parar, muitas vezes com menos contexto. O PDR — inspirado nos ADR técnicos — documenta essas regras de decisão transversais. Raro, curto, imutável: ele não diz o que construir, diz por que a empresa escolheu uma regra. Ele elimina dezenas de discussões inúteis.
2026-06-03
O backlog não é um depósito de lixo: é uma ferramenta de ação
Em muitas empresas, o backlog virou uma lixeira organizada: você coloca tudo lá para não esquecer. Alguns meses depois, são 500 linhas que ninguém mais entende. Um backlog não deveria ser um depósito de ideias, uma base de sinais de clientes ou o cemitério dos bugs não tratados. Ele serve para organizar uma informação madura o bastante para que várias pessoas trabalhem juntas. Ele entra em cena quando o trabalho deixa de ser individual.
2026-06-03
A qualidade pertence a quem entrega
Uma política de zero bug reduz o estoque de defeitos conhecidos. Mas se o time corrige mais rápido sem mudar a forma como produz, ele continua preso num ciclo de conserto. O verdadeiro tema está lá na origem: dar ownership a quem entrega, recusar specs vagas demais, testar mais cedo, dar à QA um papel de política de qualidade em vez de salva-vidas. A qualidade não se delega depois — ela pertence a quem entrega.
2026-06-02
Monitoramento da concorrência: copiar os concorrentes não é uma estratégia
Olhar o que os concorrentes lançam é ler outputs sem entender os raciocínios por trás deles. Um monitoramento útil começa pelo cliente-alvo: suas necessidades, seus critérios de escolha, suas alternativas. Os concorrentes só ficam interessantes porque revelam como um mercado responde a essas necessidades. Copiar um gesto sem entender a lógica por trás é reproduzir uma resposta sem ter feito a pergunta certa.
2026-06-02
Por que as organizações preferem decisões frouxas
Você sai da reunião com um plano de ação, mas nada foi de fato resolvido. É o que chamo de decisão frouxa: uma não decisão vestida de consenso. As organizações costumam preferi-la a uma decisão real porque ela preserva a aparência de acordo sem tornar a perda visível. Este texto explora por que esse mecanismo é racional no curto prazo, e por que ele custa tão caro na execução.
2026-06-02
As ferramentas de coerência organizacional
Suas equipes saem alinhadas da reunião — e cada uma volta com uma versão diferente da decisão. O problema não é a falta de reuniões, é a ausência de objetos comuns. Glossário, one-pager, PR/FAQ, métricas hierarquizadas, diário de decisões, regras de escalonamento: essas ferramentas não produzem o alinhamento, elas forçam os desacordos a ficarem visíveis antes de custarem caro.
2026-05-25
Wiki IA: por que construí uma base de conhecimento mantida por uma IA
O RAG clássico recomeça do zero a cada pergunta. Ao construir um Wiki IA — um wiki persistente mantido por um LLM — você capitaliza o conhecimento do negócio de uma vez por todas. Notas atômicas, links entre conceitos, detecção de contradições: o saber é compilado, não redescoberto. Relato de experiência sobre 950 notas extraídas de fontes de manutenção industrial, com as lições de calibragem e os usos concretos.
2026-05-03
O segundo cérebro é um beco sem saída para o product management
Gerenciar oportunidades de produto dentro de uma rede de notas sem fronteiras é perder o controle: erros que se propagam em silêncio, janela de contexto da IA que explode, contradições e decisões impossíveis de achar. O bounded context — emprestado do DDD — oferece um caminho melhor: cada oportunidade no seu próprio espaço delimitado, auditável, com uma memória estruturada.
2026-04-24
Um arquivo, algumas diretrizes, e o Claude faz o resto — como estruturei 500 e-mails sem esforço
Você está soterrado de e-mails e perde o fio dos assuntos em andamento? Ao entregar a estruturação para o Claude — um arquivo, algumas diretrizes e depois uma divisão progressiva — transformei 500 e-mails de condomínio em uma base de conhecimento consultável. Sete etapas, da diretriz vaga ao sistema com vários arquivos, sem nunca precisar de um framework complicado.
2026-04-21
Do arquivo único ao sistema de contextos: por que a memória de um LLM não cabe em um só documento
2026-04-13
Code centric
A documentação nunca acompanha o código. A gente sabe disso, aceita, e mesmo assim isso custa tempo a cada evolução. A IA muda a equação: quando o código está limpo, ele vira a fonte da verdade a partir da qual dá para regenerar os demais artefatos — specs, changelogs, documentação de suporte. Essa abordagem code centric exige uma cultura técnica mínima, mas abre uma alavanca real para os product managers que a dominam.
2026-04-01
Por que uma única classificação não basta para estruturar o feedback dos clientes
Muitos sistemas de insight falham porque classificam tudo em um único eixo: as features, ou os objetivos. O feedback tático se perde, os sinais estratégicos se evaporam. Um modelo em 4 níveis — objetivo de negócio, caso de uso, capacidade do produto, ponto de atrito — permite capturar tudo sem virar um monstro, e ligar cada sinal ao nível de decisão certo.