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Em 8 dias, entendi que a profissão de Product Manager vai mudar completamente

Seus dias de PM são engolidos por tarefas que não têm nada de estratégico. Em oito dias no Claude Code, automatizei meu monitoramento da concorrência — coleta, organização, atualização. Tempo recuperado para analisar, entender, decidir. Este relato mostra na prática por que o centro de gravidade da profissão de Product Manager está se deslocando: menos artefatos intermediários, mais estratégia de verdade.


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Escrito originalmente em francês. Traduzido por IA — o sentido foi preservado, não a prosa.

Há assuntos que a gente sabe que são importantes, mas que fica empurrando por meses porque sabe muito bem o que eles implicam: uma quantidade absurda de trabalho, de coleta, de triagem, de formatação, de manutenção, e no fim uma energia enorme gasta antes mesmo de começar a pensar de verdade.

Para mim, o monitoramento da concorrência fazia parte desses assuntos.

Não porque eu não acreditava nele. Muito pelo contrário. Em product, entender como os concorrentes se mexem, o que eles contam, o que eles lançam, os temas que eles empurram, os mercados que eles miram, os sinais fracos que eles emitem, isso é obviamente estratégico. O problema nunca foi o interesse do assunto. O problema era o custo de entrada.

Fazer isso direito na mão é um inferno. Você precisa assistir a vídeos, ler artigos, acompanhar newsletters, monitorar páginas de sites, coletar conteúdos em várias línguas, traduzir, classificar, historiar, cruzar de novo, sintetizar. Sinceramente, eu não conseguia dar conta do assunto do jeito que eu queria, não por falta de convicção, mas porque toda a parte de coleta, compilação e estruturação da informação era demorada demais.

E aí passei oito dias no Claude Code.

Em oito dias, construí um sistema capaz de fazer boa parte desse trabalho chato no meu lugar. Coletar o material. Organizá-lo. Torná-lo aproveitável. Atualizá-lo. Me deixar, enfim, dedicar minha energia ao que realmente importa: analisar, entender, decidir.

E aí eu levei um choque.

Porque me dei conta de que o assunto não era só "ganhar tempo com o monitoramento da concorrência". O assunto era bem mais amplo. Estou buscando, de forma bem concreta, como eliminar uma a uma todas as tarefas demoradas que entulham o meu trabalho. Tudo o que me toma tempo sem me ajudar diretamente a produzir clareza estratégica virou um alvo.

E, na minha opinião, é exatamente aí que a profissão de Product Manager está se transformando.

Por muito tempo, o PM foi uma espécie de ponto de convergência. Era preciso coletar necessidades, reformular, produzir documentos, esclarecer tickets, colocar ordem, coordenar, priorizar, acompanhar, cobrar, documentar mais uma vez. Uma parte da profissão consistia em compensar os atritos da organização. A gente lidava com complexidade, dependências, ambiguidades, traduções permanentes entre o negócio, a tech, o design, o suporte, a diretoria.

Isso era útil. Ainda é útil. Mas acho que a gente acabou aceitando como normal uma enorme massa de tarefas que, no fundo, não eram o coração da profissão, só a sua camada operacional.

E hoje essa camada operacional começa a poder ser automatizada, assistida ou radicalmente acelerada.

É isso a verdadeira mudança.

O Product Manager não está mais condenado a passar a maior parte do tempo produzindo ou mantendo artefatos intermediários. Uma parte crescente desse trabalho já pode ser assumida por sistemas com ferramentas. Não de forma perfeita. Não sem controle. Mas o suficiente para mudar a equação.

Com isso, a pergunta fica brutal: se eu consigo reduzir bastante o tempo gasto coletando, compilando, reformulando, triando, estruturando e mantendo, então a que devo dedicar esse tempo recuperado?

Para mim, a resposta é simples: à estratégia.

Não à estratégia em PowerPoint. Não à estratégia como palavra-valise que a gente solta nas reuniões. Estou falando da estratégia de verdade: entender para onde vai o mercado, o que os clientes dizem sem sempre saber formular, quais problemas realmente merecem que a gente ataque, quais decisões vão criar uma vantagem real, qual posicionamento a gente quer defender, e em que é preciso concentrar a energia da empresa.

É aí que o valor da profissão sobe.

Porque, no fundo, um bom Product Manager não é aquele que produz mais tickets ou mais docs. Também não é aquele que segura em pé, heroicamente, uma máquina organizacional ineficiente. Um bom PM é alguém que enxerga com clareza. Alguém que entende o que está mudando. Alguém que identifica o problema certo antes de todo mundo. Alguém que sabe dizer não a dez ideias sedutoras para empurrar uma só, mas a certa.

E essa qualidade de julgamento exige tempo, profundidade, disponibilidade mental.

E é justamente isso que as tarefas demoradas destroem.

Quando seus dias são comidos pela coleta de informações, pela reformatação, pela atualização de documentos, pelo acompanhamento de microassuntos e pela gestão de atritos operacionais, você não tem mais espaço para pensar. Você executa. Você mantém. Você absorve. Mas você não consegue mais tomar distância.

É por isso que eu acho que a profissão vai mudar completamente.

Não porque a IA vai "substituir os PMs". Essa leitura é simples demais e, na minha opinião, pouco interessante. O assunto de verdade é que o centro de gravidade da profissão se desloca. O valor se desloca. O papel se reposiciona.

Menos na produção de material intermediário. Mais na compreensão, na orientação, na arbitragem.

É claro que isso não torna as ferramentas mágicas. O Claude Code pode ir rápido, fazer muita coisa, às vezes de forma brilhante, às vezes errar feio. É preciso enquadrar, revisar, testar, supervisionar. Sempre é preciso julgamento. Sempre é preciso técnica em algum lugar. Mas, mesmo com esses limites, o que vi em oito dias me parece sem ambiguidade: o custo de muitas tarefas acessórias está despencando.

E quando esse custo despenca, não existe mais desculpa de verdade para definir a profissão só pela sua camada operacional.

Pessoalmente, é exatamente a direção que eu quero tomar: matar o máximo possível de tudo o que é repetitivo, pesado, dispersivo, para concentrar meu tempo no que tem mais valor. Pensar o mercado. Ler os sinais. Entender as dinâmicas. Escolher as batalhas. Construir uma direção.

O assunto de verdade, então, não é só a produtividade.

O assunto de verdade é que talvez a gente esteja redescobrindo o que deveria ser, no fundo, a profissão de Product Manager: não gerenciar a camada operacional, mas manter o rumo.

Para saber mais

No software, a vantagem não será mais a tecnologia. Será a compreensão do contexto. O PM como arquiteto do Contexto