Ideia

O direito de produzir código se regula pela relação entre a competência e o risco do produto, não pela competência sozinha

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Escrito originalmente em francês. Traduzido por IA — o sentido foi preservado, não a prosa.

Ideia principal

A pergunta "um product manager pode agora desenvolver com um assistente?" pede uma resposta de sim ou não, e é isso que a torna inutilizável. Nenhuma organização procede assim com os próprios desenvolvedores: ninguém abre no primeiro dia o repositório mais crítico para um iniciante, e também não lhe dá todos os acessos, todos os dados e todos os direitos. A competência não decide sozinha; ela decide em relação ao que está em jogo.

A formulação útil, portanto, não é um direito, é um perímetro. Uma ferramentinha interna, pessoal, de vida curta e sem impacto tolera pouco formalismo: se quebrar, você joga fora. Uma ferramenta compartilhada, com escritas limitadas e dependências de negócio, já exige mais. Um produto que mexe em dados sensíveis de clientes, em permissões, em faturamento ou em escritas irreversíveis muda de categoria por completo.

O mesmo raciocínio vale para a competência, e não só na entrada: quem aceita não conseguir explicar certas partes do código numa ferramenta interna pode recusar essa mesma névoa num produto crítico. O ajuste não é um traço de personalidade, é uma arbitragem por produto.

Por que isso importa

Isso tira a discussão da briga de legitimidade. Debater se os perfis de produto têm "o direito" de codar não produz nenhuma política; definir o que eles podem fazer, em quais repositórios, com quais direitos e a partir de que nível de risco produz uma.

Isso também desloca o ônus da prova. Não se trata mais de demonstrar que um product manager é bom o bastante, mas de classificar os produtos pelo que um erro custaria neles — um trabalho que a organização precisa fazer de todo jeito, inclusive para os desenvolvedores dela.

Nuances e limites

A regra pressupõe que a categoria de risco de um objeto seja conhecida no momento em que ele é construído. Raramente é, e uma ferramenta pode mudar de categoria pela adoção sem que o enquadramento inicial seja revisto.

Ela também não diz qual nível de exigência adotar para cada categoria: ela fixa a pergunta, não a grade, e essa grade depende de cada empresa.

Questões em aberto

  • Quem, numa organização, é legítimo para classificar um produto numa categoria de risco — a equipe técnica, a segurança, a área de negócio que depende dele?